
A Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública foi criada em 1952, no Hospital Santa Izabel, por professores de medicina da antiga Faculdade de Medicina da Bahia, a primeira escola do Brasil. Nosso corpo docente mantém, há 52 anos, a tradição de ser constituído por professores, pesquisadores e médicos ilustres, com grande destaque e respeitabilidade na comunidade baiana e brasileira A experiência profissional e docente, pela qual um professor da Bahiana sempre se destaca, inclui o prazer e o compromisso em ajudar jovens a se formarem para o exercício desta profissão tão complexa e nobre. A preocupação da escola com a qualificação adequada faz com que 100% do corpo docente seja constituído por pós-doutores, doutores, livre-docentes, mestres e especialistas.
TRADIÇÃO E INOVAÇÃO
O modelo pedagógico da escola, desde o início, foi um modelo inovador, tendo como inspiradora a Escola de Medicina de Harvard. Outro dado histórico, importante de ser ressaltado, é o motivo pelo qual a escola traz orgulhosamente em seu nome a expressão “Saúde Pública”. Isso se deve ao fato dela ter sido concebida, inicialmente, para realizar dois cursos independentes: o de Medicina e o de Saúde Pública. Depois de muitos anos, com a mudança da legislação brasileira referente ao setor, deixamos de oferecer o curso de Saúde Pública. Mas o nome foi mantido e os propósitos de formar médicos capacitados para pensar e cuidar de forma adequada da saúde das populações está cada vez mais em consonância com as atuais políticas do governo para a área.
Fomos pioneiros no Brasil em ter uma disciplina específica de Saúde da Família e, também, uma das primeiras escolas a valorizar o treinamento em serviço, criando o Internato em 2 anos, em 1985, coisa que a grande maioria das escolas só agora está começando a implantar. Depois de 20 anos de experiência, nosso internato está muito bem organizado e acompanhado, funcionando dentro do Sistema Único de Saúde, conforme o recomendado pelo MEC, e nós podemos nos orgulhar dele.
Desde os primórdios, portanto, aliamos tradição e inovação. Sendo assim, em janeiro de 2000, iniciamos um novo ciclo de transformações, baseado no que então era somente um ante-projeto das novas diretrizes curriculares para os cursos de medicina. Quando, finalmente, em 7 de novembro de 2001, as Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Medicina foram publicadas, alunos, professores e coordenadores da escola já estavam construindo, coletivamente, há 2 anos, as mudanças preconizadas.
FORMAÇÃO DO MÉDICO CIDADÃO
Metodologias de ensino-aprendizagem auto-ativas, novas tecnologias e formas de comunicação eletrônica entre alunos e professores, participação efetiva dos estudantes na avaliação das disciplinas e das atividades existentes, no levantamento dos problemas, na busca e acompanhamento de soluções conjuntas intensificaram-se e tornaram-se prática cotidiana, no exercício da democracia e da cidadania responsável, que inclui respeito ao outro e às diferenças de pensamento e de opinião.
Nossa escola foi, ainda, precursora na criação do Serviço de Supervisão Pedagógica que conta com pedagogas especializadas para o atendimento diário de alunos e professores, dentro dos muros da escola e de forma itinerante, nos hospitais, ambulatórios e serviços.
Por sabermos o quanto é difícil e sofrido enfrentar a grande maratona dos seis anos do curso, criamos para nossos alunos o Núcleo de Atenção Psicopedagógico, composto por pedagogos, psicólogos e psiquiatras, com o objetivo de oferecer apoio psicológico e pedagógico para auxiliá-los na tarefa de superar as crises e problemas surgidos durante o percurso.
O auto-conhecimento e o auto-cuidado são incentivados desde o momento em que o aluno entra na escola e a ele são oferecidos instrumentos para realizá-los. Esta, também, é uma das melhores maneiras de se chegar a compreender nossos pacientes como um todo, com um corpo e uma mente em interação permanente de estímulos físicos, psíquicos, sociais e ambientais. As pessoas, as famílias e as comunidades com as quais trabalhamos precisam também ser escutadas, compreendidas e cuidadas.
O PENSAMENTO CIENTÍFICO
Outro ponto forte da escola é o incentivo, a partir do primeiro dia de aula, para pensar de forma científica. Alguns jovens encontrarão aqui, no correr dos anos, a oportunidade de participar de grupos de pesquisa. Temos, atualmente, 30 grupos de pesquisa cadastrados no CNPQ, resultado estimulante de anos e anos de trabalho de muitos professores e alunos da nossa escola.
É preciso ressaltar que não somos uma universidade e, portanto, não temos obrigações legais, como elas, de realizar pesquisas. No entanto, temos a visão e a clareza de que a pesquisa é um importante instrumento não só de produção de conhecimento, mas de ensino/aprendizagem e investimos, por vontade própria, em parceria com importantes instituições de pesquisa, no desenvolvimento de projetos de pesquisa e projetos de iniciação científica. Só neste ano de 2005, já tivemos 4 projetos aprovados pela FAPESB.
Entretanto, aprender a pensar científicamente, uma necessidade para quem deseja ser médico, não se adquire exclusivamente ao participar de um projeto de pesquisa. Muitos não terão o desejo ou a vocação para tal. Por isso, nosso curso oferece no dia a dia, desde o momento da entrada, além de disciplinas ligadas diretamente à metodologia científica como Metodologia instrumental, Metodologia científica aplicada á área de saúde e Elementos de metodologia epidemiológica e comunicação científica, todas as outras que lidam de forma indireta com esta maneira de pensar, estimulando a leitura e discussão de artigos científicos, de forma crítica, para a realização de resenhas, resumos, relatórios, pesquisas bibliográficas, seminários, projetos, artigos e monografias, inclusive a de conclusão do 4º ano do curso. A qualidade destes trabalhos tem sido de tal ordem que muitos deles foram publicados.
A PEDRA FUNDAMENTAL
Portanto, aprender a ler, a criticar construtivamente, a selecionar adequadamente, a fazer perguntas e duvidar, sabendo que todo conhecimento é provisório e a verdade uma busca contínua e patrimônio de todos, serão adquiridos nas experiências e na vida acadêmicas da escola as quais estimularão o raciocínio científico e a atitude de investigação, o espírito crítico, a integralidade dos conhecimentos, a colaboração, a solidariedade, o respeito e o trabalho em equipe embasados numa postura ética e humanista que deve permanentemente permear todas as relações estabelecidas na escola e fora dela.
Estes princípios constituem a pedra fundamental da formação do médico e do cidadão, pois todo o edifício de saberes científicos, técnicos e tecnológicos neles se apoiarão e farão a diferença entre um grande técnico do futuro e um futuro grande médico.