ESTUDO LONGITUDINAL DA FUNÇÃO CARDÍACA DO MODELO EXPERIMENTAL DA DISTROFIA MUSCULAR DE DUCHENNE

Autor(es): ROSADO,I.T.; MENDEZ, L.C.; VIDAL, D.T.A.; VASCONCELOS, J.F.; MACAMBIRA, S.G.; SOARES, M.B.P.

A distrofia muscular de Duchenne (DMD) é a distrofia muscular mais comum e letal do mundo, acometendo um indivíduo em cada 3500 nascimentos vivos. É uma doença congênita, recessiva, ligada ao X, que acomete apenas meninos, e caracteriza-se pela ausência ou formação inadequada da distrofina, proteína que causa ruptura do sarcolema de músculos esqueléticos e cardíacos, levando à fraqueza muscular progressiva. A doença tem um padrão progressivo de desenvolvimento e encurta consideravelmente a sobrevida dos acometidos, sendo a cardiomiopatia dilatada o principal fator limitante no tratamento destes pacientes. O modelo experimental mais utilizado na DMD é o camundongo mdx, murino portador de uma mutação genética que leva a uma redução na expressão da distrofina. O principal objetivo deste estudo é caracterizar a função cardíaca do modelo experimental de DMD para investigar o desenvolvimento da cardiomiopatia associada a esta síndrome através de um estudo longitudinal. Vinte e oito camundongos machos mdx e 10 camundongos machos da linhagem C57Bl/10 (grupo controle), todos com 8 semanas, foram submetidos a avaliações funcionais, bioquímicas e morfométricas para a realização deste estudo. A análise das funções cardíacas e do músculo esquelético foi realizada em cada camundongo aos 3 meses de idade e repetido aos 17 meses de idade através do estudo de traçados eletrocardiográficos e teste ergométrico. Exames ecocardiográficos também foram realizados, porém apenas nos animais velhos. Em seguida, os animais foram sacrificados e realizou-se o estudo post mortem do coração e músculo gastrocnêmio, que foram cortados e pesados separadamente. Nestes tecidos, bem como no soro dos animais, também foi feita a dosagem de IL-6. À eletrocardiografia, os camundongos controles apresentaram um aumento no tempo de condução elétrica átrio-ventricular compatível com o processo fisiológico de envelhecimento. A comparação entre os mdx jovens e velhos apresentou alterações em quase todos os índices analisados, o que comprova a hipótese de que a doença progride com a idade. Comparados aos controles jovens, os mdx jovens apresentaram um menor tempo de ativação ventricular, redução da duração de QRS e repolarização ventricular mais precoce, sugerindo uma tendência ao desenvolvimento de taquicardia ventricular. Já os achados do estudo comparativo entre os mdx e controles velhos, sugerem comprometimento da propagação do impulso cardíaco nos mdx. A análise ecocardiográfica entre os camundongos controles e mdx velhos revelou uma diminuição significativa na fração de encurtamento do coração do mdx, sugerindo comprometimento da função sistólica. A massa cardíaca dos camundongos mdx apresentou-se maior do que a dos controles no estudo post morten. Em relação ao músculo gastrocnêmio, houve redução da massa nos mdx. O aumento dos níveis de IL-6 observados no soro, coração e músculo gastrocnêmio dos camundongos mdx é compatível com um quadro de processo inflamatório e regeneração muscular. O camundongo mdx figura-se, portanto, como um modelo experimental adequado para o estudo fisiopatológico da DMD e para a busca de novas terapias.

Palavras-chave: distrofia muscular de duchenne. mdx. cardiomiopatia.

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Anais da MCC., Salvador, v.1, n.3, setembro. 2012, ISSN

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