FREQUÊNCIA DE TROMBOCITOPENIA E DO USO DE HEPARINA EM PACIENTES COM DOENÇA ARTERIAL CORONARIANA

Autor(es): Gabriela Gomes, Marta Menezes, Tiago Farias, Zilma Barreto, Gabriele Gramacho, Gabriela Alban, Karilena

O uso de antitrombínicos no tratamento do DAC, embora contribuam para a redução da mortalidade, também podem determinar efeitos adversos. O uso de heparina pode determinar desde formas brandas de trombocitopenia (30%), até formas graves (5%), associada com fenômenos embólicos e com uma taxa de mortalidade estimada em 8 a 20% (Fernanda Longhi, 2002). O objetivo deste trabalho é determinar a frequência de trombocitopenia e do uso heparina, correlacionando estes dados, em pacientes com DAC em hospital do SUS, referência em cardiologia. Trata-se de um estudo observacional de corte transversal, realizado em duas etapas, retrospectiva e prospectiva, na enfermaria de cardiologia do Hospital Ana Neri na cidade do Salvador, Bahia. Os dados foram colhidos com ficha padronizada através dos prontuários de pacientes com DAC e que tiveram registro da contagem de plaquetas de dezembro de 2007 a abril de 2008 (retrospectiva), julho a setembro de 2009 e abril a junho de 2010 (prospectiva). Foram incluídos no estudo 103 pacientes admitidos com diagnóstico de DAC, 66 (64,0%) do sexo masculino e 37 (35,9%) do sexo feminino. O estudo avaliou dois grupos diferentes de pacientes, um com trombocitopenia (Grupo I) e outro sem trombocitopenia (Grupo II). A idade média dos pacientes do grupo I foi de 60,3 anos (dp = 9,6), enquanto que a média de idade do grupo II foi de 58,1 anos (dp = 9,6). Os homens apresentaram mais trombocitopenia do que as mulheres (51,5 versus 32,3, p =0,039). Do total de pacientes, 36 (32,0%) foram expostos à heparina de baixo peso molecular (HBPM), 24 (23,3%) à heparina não fracionada (HNF) e 37 (35,9%) aos dois tipos de heparina. A frequência de trombocitopenia deste estudo foi de 45,4%. Dos pacientes que utilizaram a HNF no período do internamento, 58,3% apresentaram trombocitopenia, comparado a 54,1% naqueles expostos a ambos os tipos de heparina (p= 0.94). Aqueles que usaram HBPM isoladamente tiveram uma frequência de trombocitopenia de 27,8%, sendo esta menor do que a frequência nos expostos isoladamente à HNF (p=0,036) e do que nos pacientes que usaram ambos os tipos de heparina (p=0,044). Quanto ao tratamento empregado para DAC, a trombocitopenia ocorreu em: 25% dos pacientes tratados de forma clínica, 28,9% dos tratados com angioplastia e 86,2% dos submetidos a cirurgia. A freqüência de trombocitopenia no presente estudo foi elevada. Houve uma freqüência significativamente maior de trombocitopenia naqueles pacientes expostos a HNF, isoladamente ou HNF em associação com HBPM, em comparação com aqueles expostos apenas a HBPM.

Palavras-chave: medicina. cardiologia. doença coronariana.

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Anais da MCC., Salvador, v.1, n.3, setembro. 2012, ISSN

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