MICOBACTÉRIAS NÃO TUBERCULOSAS EM UM HOSPITAL DE REFERÊNCIA NA BAHIA: ANÁLISE DE 64 CASOS

Autor(es): Eliana Dias Matos; Larissa Nunes Pereira; Francianne Marinho Amorim; Lorena Maria Alves Souza; Antônio Carlos Moreira Lemos

Introdução: Nos últimos anos, as doenças causadas por micobactérias não tuberculosas (MNT) têm assumido importância crescente, especialmente devido à associação com HIV, fibrose cística e broquiectasias, aliado a um melhor reconhecimento clínico e no isolamento de micobactérias. Na Bahia, das 231 culturas para micobactérias de pacientes encaminhados com suspeita de TB multirresistente (TBMR), 8,2% foram isolados MNT, com predominância de MNT de crescimento rápido (64,4%), especialmente do grupo M.abscessus/ chelonae (57,9%). Objetivos: Descrever aspectos clínicos, distribuição de frequência de espécies e desfechos dos casos de MNT acompanhados em um ambulatório de hospital de referência terciária na Bahia; Métodos: Foram avaliados, em coorte retrospectiva, 64 pacientes acompanhados no ambulatório de TBMR do Hospital Especializado Octávio Mangabeira (Bahia), de janeiro/2003 a janeiro/2010. Foram realizados baciloscopia, cultura para micobactéria em meio de Lövenstein-Jensen, tipificação da micobactéria isolada na cultura (métodos bioquímicos), sorologia para HIV e radiografia de tórax. As variáveis de maior interesse foram: idade, sexo, sintomas clínicos, doença pulmonar pré-existente, tratamento prévio para TB, sorologia para HIV, espécie de MNT e desfecho de tratamento. Resultados: A média de idade foi de 47,8 14,9 anos, sendo 57,8% (37/64) do sexo masculino. O isolamento de MNT foi possível em 62 dos 64 pacientes (96,8%), com a seguinte distribuição de espécies: 27,4% (17/62) M. abscessus/chelonae; 14,5% (9/62) M. kansasii; 14,5% (9/62) M. gordonae; 12,9% (7/62) M.fortuitum/peregrinum; 8,1% (7/62) complexo M. avium-intracellulare e em 22,6% (12/62) foram isolados Mycobacterium sp. Em dois pacientes o diagnóstico de infecção por MNT em pele e tecido subcutâneo foi realizado com base em quadro clínicoepidemiológico e presença de lesão granulomatosa. Tosse produtiva foi o sintoma mais frequente (81,3%; 52/64), seguida de febre (21,9%; 14/64) e dispnéia (20,3%; 13/64). Tratamento prévio para TB foi relatado em 75% (48/64). Coinfecção MNT/HIV foi observada em 7,8% (5/64). Os critérios definidores de doença por MNT (ATS/IDSA, 2007) foram preenchidos em 90,6% (58/64). Os desfechos dos 58 pacientes tratados foram: cura 56,9% (33/58); 19,0% (11/58) em tratamento favorável; 13,8% (8/58) falência; 8,6% (5/58) óbito; e 1,6% (1/58) abandono. Conclusões: (1) Os resultados sinalizam a importância da investigação sistemática de doença por MNT em pacientes com suspeita de TB, considerando que a maioria são tratados previamente para TB; (2) Houve predominância de MNT de crescimento rápido nessa população, na Bahia.

Palavras-chave: micobactérias não tuberculosas. Brasil. Bahia.

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Anais da MCC., Salvador, v.1, n.3, setembro. 2012, ISSN

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