PRÁTICA DE EPISIOTOMIA NAS PRINCIPAIS MATERNIDADES PÚBLICAS DE SALVADOR-BA

Autor(es): Fernanda da Rocha Medeiros; Dalila Rossi Maia; Mariana Gouveia Bastos; Rone Peterson Cerqueira Oliveira

Objetivo: Avaliar se os médicos obstetras, plantonistas das principais maternidades públicas de Salvador – BA realizam a episiotomia de forma rotineira ou seletiva. Metodologia: Estudo do tipo seccional, descritivo, com componente analítico, realizado através da aplicação de um questionário aos plantonistas das principais maternidades públicas de Salvador-BA, avaliando a frequência de realização de episiotomia (rotineira ou seletiva), suas principais justificativas e complicações. Resultados: Foram entrevistados 135 plantonistas de 5 maternidades públicas de Salvador-BA. Desses, 77,8% afirmam realizar a episiotomia de forma seletiva, atribuindo à macrossomia (63,8%) e ao volume cefálico grande (59%) as principais justificativas para tal. Dos 22,2% que afirmaram realizar episiotomia rotineira, 90% atribuíram à prevenção de lacerações, 46,7% à proteção da musculatura pélvica e 10% à sobrecarga de trabalho. Edema (37%) e infecção de ferida cirúrgica (23%) foram as principais complicações citadas. Comparando os grupos de profissionais que praticam episiotomia de forma seletiva com aqueles que a praticam de forma rotineira, observamos que o primeiro grupo utiliza mais a leitura de revistas ou artigos científicos para atualizar-se (96,2% vs 83,3%, p=0,026), acreditando na necessidade de humanização do parto (61,4% vs 26,7%, p = 0,002) e aceitando que a episiotomia aumenta a chance de hemorragia pós-parto (71,4% vs 33,3%, p = 0,000). Conclusões: O presente estudo mostrou que a maioria dos obstetras atuantes na rede pública de Salvador-BA realiza a episiotomia de forma seletiva, contrastando com resultados de estudos prévios no país. Uma parcela dos entrevistados ainda emprega essa prática de forma rotineira, não creditando à mesma a contribuição na ocorrência de lacerações e hemorragias, além de atribuir-lhe um grande papel preventivo. Modificações na formação médica, bem como a efetivação de novos estudos, se fazem continuamente necessários para uma prática profissional humanizada e baseada em evidências.

Palavras-chave: ginecologia. obstetricia. medicina.

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Anais da MCC., Salvador, v.1, n.3, setembro. 2012, ISSN

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