O LEGADO DE PIRAJÁ DA SILVA PARA A SAÚDE NA BAHIA

Autor(es): Marcela Farias Costa; Tania Kobler Brazil

O trabalho trata do resgate da memória de um dos principais pesquisadores baianos da área biomédica, com um legado de conhecimento além das fronteiras brasileiras. Foi realizado um extenso levantamento bibliográfico, tanto em relação ao que foi escrito sobre ele (1910-2009) quanto ao por ele publicado (1908- 1913). Pirajá da Silva (1873-1961) nasceu Manuel Augusto da Silva, em Camamu, filho de Maria Veridiana da Silva Pirajá e Eduardo Augusto da Silva. O sobrenome que o tornou conhecido veio a ser posto após o seu ingresso na Faculdade de Medicina da Bahia–FAMEB (1891). Formou-se médico aos 23 anos e conviveu com Carlos Chagas com quem realizou os estudos preliminares das suas principais descobertas em Medicina e Parasitologia. Exerceu a clínica antes de iniciar a carreira de pesquisador e de professor como assistente de Clínica Médica (FAMEB), com 29 anos (1902). Realizou suas primeiras observações sobre a esquistossomose (1904) quando estudou os ovos do parasita eliminados por um doente em Salvador. A descrição completa do ciclo biológico do schistosoma mansoni (plathyhelmintes-trematodeo), publicou-a no Archives de Parasitologie (1908). Foi professor de História Natural Médica e de Parasitologia (FAMEB) e de História Natural (Ginásio Baiano-1914). Após sua aposentadoria (62 anos), foi morar em São Paulo, onde colaborou cientificamente com a equipe do Instituto Butantan. Recebeu a medalha Bernhard Nocht, do Instituto Alemão de Doenças Tropicais (1954-Hamburgo), e a grã-cruz da Ordem do Mérito Médico (1956-Brasil). Morreu em Salvador, com 88 anos. Considerada endêmica, desde 1950 (primeiro estudo de prevalência), a esquistossomose é um dos maiores problemas de saúde pública nas regiões tropical e subtropical, associada ao baixo desenvolvimento econômico de certas áreas. Apesar dos avanços do conhecimento biomédico e dos sucessivos programas de controle e consequente redução (5.000.000/1950; 8.000.000/1970; 10.000/1990; 10.000/2009), ainda se observa em algumas regiões, expansão da área de transmissão.

Palavras-chave: ciência biomédica. pirajá da silva. esquistosomose.

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Anais da MCC., Salvador, v.1, n.3, setembro. 2012, ISSN

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