ESTUDOS SOBRE O POTENCIAL TERAPÊUTICO DE CÉLULAS DA MÉDULA ÓSSEA NA MIOCARDIOPATIA CHAGÁSICA

Autor(es): Vanessa Freitas; Eduardo Marques; Maíra Silva; Tainã Barreto; Luciana Pereira; Anna Karenine Cunha

A Doença de Chagas é uma infecção causada pelo protozoário trypanossoma cruzi, transmitido por contaminação com dejeções de insetos triatomíneos infectados. A fase aguda da doença é assintomática, na maioria dos casos, e a fase crônica acomete, principalmente, os sistemas digestório e cardiovascular. No Brasil, calcula-se que haja cerca de 1,6 milhões de indivíduos infectados. Entre os portadores da doença, 30 a 40% podem ter comprometimento cardíaco na fase crônica, sendo as complicações mais comuns arritmias, tromboembolismo e insuficiência cardíaca. Apesar das medidas de controle de transmissão terem diminuído a incidência de novos casos, a doença continua sendo um problema de saúde pública. A forma cardíaca da doença é caracterizada por uma degeneração de fibras miocárdicas com áreas focais de fibrose e reação inflamatória difusa. A insuficiência cardíaca (IC) de etiologia chagásica decorre do comprometimento gradual dessas fibras, resultando em dilatação seguida de hipertrofia do músculo cardíaco. Os tratamentos farmacológicos causam importantes efeitos adversos, sendo necessários novos estudos para avaliar a capacidade de os medicamentos usados atualmente impedirem a progressão da moléstia. A demonstração de que células adultas da medula óssea se diferenciam in vitro em vários tipos celulares foi o estímulo inicial para o emprego experimental no tratamento da insuficiência cardíaca. A terapia de transplante de células da medula óssea para o miocárdio tem sido utilizada no tratamento da IC de etiologia chagásica. Estudos demonstram associação da terapia com melhora da fração de ejeção, do diâmetro diastólico final do ventrículo esquerdo, da classe funcional da IC, da distância caminhada no teste de 6 min e do escore da qualidade de vida de Minnesota. Além disso, estudos demonstram não haver complicação direta relacionada à coleta e injeção de células ou verificação de qualquer efeito adverso. Estudos subsequentes são necessários para esclarecer os mecanismos que levam à melhora pós-terapia, assim como para estabelecer protocolos mais eficazes e determinar possíveis riscos e limitações das metodologias empregadas. Esta revisão propõe-se a descrever os estudos de transplante de células da medula óssea em pacientes com miocardiopatia chagásica e os possíveis mecanismos pelos quais essa terapia interfere na manifestação cardíaca da doença.

Palavras-chave: doença de chagas. insuficiência cardíaca. terapia celular.

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Anais da MCC., Salvador, v.1, n.3, setembro. 2012, ISSN

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