ASPECTOS IMUNOLÓGICOS E EVOLUÇÃO CLÍNICA EM UMA COORTE DE INDIVÍDUOS CO-INFECTADOS PELO HTLV-1 E STRONGYLOIDES STERCORALIS

Autor(es): Fernanda Correia Salles; Andrea Bacellar Soares de Andrade; Mirla Carvalho Silva de Amorim; Marcelo Kirschbaum; Yuri Costa Sarno Neves; Camila Farias Amorim

Estudos prévios demonstram que o HTLV-1 predispõe a infecção grave e recorrente pelo S.stercoralis, diminuindo a resposta de defesa contra a helmitíase. Todavia, enquanto a influência da infecção pelo HTLV-1 na estrongiloidíase é bem documentada, o papel da infecção por este helminto, no curso clínico da infecção pelo HTLV-1 é controverso, sendo a principal doença relacionada à co-infecção a ATLL. O objetivo do presente estudo foi comparar a resposta imune e a evolução clínica em pacientes infectados pelo HTLV-1 com e sem estrongiloidíase. Estudo composto de 60 pacientes infectados apenas pelo HTLV-1 e 30 pacientes co-infectados com S.stercoralis, acompanhados por um período de 2 a 10 anos. As concentrações de TNF-a, INF-?, IL-5, IL-10 e IL-2 foram determinadas por ELISA; a carga proviral foi medida pela reação em cadeia da polimerase, e foram realizados hemograma, avaliação de morfologia de linfócitos e pesquisa de células em flor. Foram analisados 5 desfechos clínicos: desenvolvimento de ATLL, HAM/TSP, bexiga hiperativa, disfunção erétil e novos episódios da estrongiloidíase. Pacientes com estrongiloidíase foram tratados com albendazol. As concentrações de TNF-a e INF-? foram menores nos indivíduos com HTLV-1 e estrongiloidíase do que nos infectados apenas pelo HTLV-1 (p<0,05). As concentrações de IL-5 e IL-10 foram similares entre os dois grupos (p>0,05). Não foi observada relação entre a infecção pelo S.stercoralis e marcadores de ATLL, e esta condição só ocorreu em uma paciente que apresentou estrongiloidíase recorrente. Nenhum paciente desenvolveu HAM/TSP, e não houve diferença na prevalência de bexiga hiperativa e disfunção erétil entre os grupos. Não foram detectadas evidências que a infecção pelo S.stercoralis contribui para o desenvolvimento da ATLL, entretanto o único caso de leucemia foi no grupo com estrongiloidíase. Apesar da estrongiloidíase modular negativamente a resposta Th1, nesta coorte previamente tratada para a helmintíase, não foi documentada atenuação das manifestações clínicas associadas ao HTLV-1.

Palavras-chave: HTLV-1. Strongyloides stercoralis. Manifestações clínicas. Resposta imune. ATLL.

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Anais da MCC., Salvador, v.1, n.3, setembro. 2012, ISSN

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