COMPARAÇÃO DOS EFEITOS NEUROTÓXICOS DA CANNABIS SATIVA E DO ETANOL

Autor(es): Aline Taranto Carletto; Ana Paula Andrade Vieira da Silva; Giulia de Leo Rodrigues Medeiros; Juliana Veiga de Almeida; Lucas Adorno Cerqueira

Várias substâncias podem modular aspectos psico-sensoriais por afetarem o metabolismo cerebral. Dentre essas destacamos a maconha (substância ativa o tetraidrocanabinol) que é droga ilícita em muitos países, mas muito utilizada, e o etanol, droga lícita mais utilizada no mundo. Essas drogas atuam nos neurônios, interferindo nas sinapses. Dessa forma, causam os efeitos de letargia e euforia tão conhecidos. Sabe-se que, embora o álcool não produza seus efeitos secundários ligando-se a receptores específicos, sua toxidade atinge principalmente as células nervosas. Pode ligar-se a proteínas receptoras de glutamato, inibindo a sua função, e potencializar a ação inibitória do ácido gama-aminobutírico (GABA). Ademais, influencia também na liberação dos principais neurotransmissores presentes no sistema nervoso central (SNC), por ativação dopaminérgica do núcleo accumbens, a qual ativa vias serotoninérgicas. Já a Cannabis, possui receptores específicos, o CB1 e o CB2. O tetraidrocanabinol, ligado ao receptor, bloqueia os canais de cálcio e abre os canais de potássio, inviabilizando a liberação dos neurotransmissores. Utilizando as técnicas de ressonância magnética e tomografia computadorizada, foi possível detectar mudanças morfológicas na estrutura cerebral causadas pelo uso abusivo do etanol, como o aumento no tamanho dos ventrículos cefálicos e dos sulcos, o que poderia refletir em uma diminuição na massa cerebral. Essa diminuição do peso provavelmente é devida a perda de células nervosas. No usuário da maconha, não foi observada a diminuição da massa encefálica. As principais áreas afetadas pelo uso do álcool são o lobo pré-frontal, a área tegmentar ventral do mesencéfalo e o núcleo accumbens. Pela maconha, praticamente todo o cérebro é afetado: córtex cerebral, hipocampo, cerebelo e os gânglios basais. Os principais efeitos causados no cérebro pelo consumo do álcool são: falha de memória, visão e audição distorcidas, fala arrastada, capacidade de raciocínio diferente, percepção e coordenação diminuídas, sonolência, dores de cabeça, coma alcoólico e euforia. Os efeitos da maconha são muito semelhantes. Pode-se destacar ainda o aumento do apetite e a vermelhidão nos olhos. Assim, é possível considerar que os efeitos causados por ambas as drogas são semelhantes e ambas causam dependência. A diferença percebida entre essas substâncias é a atuação nas sinapses, contudo, ambas são prejudiciais à saúde humana.

Palavras-chave: etanol; Cannabis sativa; neurotoxicidade; sinapse; saúde pública.

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Anais da MCC., Salvador, v.1, n.3, setembro. 2012, ISSN

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