DISFUNÇÃO MITOCONDRIAL COMO MECANISMO FISIOPATOLÓGICO DA DEGENERAÇÃO PROGRESSIVA DA MIELINA

Autor(es): Marielle de Freitas Guimarães; Suzane Sampaio Amorim de Oliveira; Wilton Augusto Santos Rodrigues Filho; Kelvin Sueyzy Lopes da Cruz Cabral

A mielina é uma importante camada de isolamento, que reveste os axônios dos neurônios, sendo fundamental na manutenção da condução dos impulsos elétricos no sistema nervoso central (SNC). Os oligodendrocitos são responsáveis pela produção da bainha de mielina, no SNC. Sendo o processo de mielinização incidente durante a última parte do desenvolvimento fetal e durante o primeiro ano de vida, gerados no neuroepitélio ventral do tubo neural na vida embrionária, mas especificamente a partir do antepassado do neurônio motor de domínio (PMN), na medula espinhal dorsal, rombencéfalo e telencéfalo. Essas células migram para a substância branca e se diferenciam em oligondendrócitos maduros e começam a expressar um subconjunto de proteínas da mielina. Quando ocorrem lesões, as células progenitoras oligodendrócitos (OPC) respondem a estímulos quimiotáticos e migram para o local da lesão, proliferam diferenciadas em oligodendrócitos maduros e causam a remielinizaçao da região. A manutenção da bainha de mielina ocorre em toda a idade adulta e é composta por um volume constante de mielina com alto nível de expressão de genes de mielina, mesmo após a conclusão do processo de mielinização. Sinais derivados eletricamente (como fatores de crescimento, fatores neurotróficos e atividade elétrica) de neurônios ativos regulam os eventos celulares envolvidos na mielinização e expressão de genes de mielina em oligodendrócitos. Evidências comprovam a presença das mitocôndrias preferencialmente na região dos nós de Ranvier, local onde a demanda de energia é maior. As mitocôndrias contêm múltiplas funções e atua como uma organela fundamental para um SN saudável e, sua incapacidade funcional pode resultar no comprometimento celular. Assim, o presente estudo visa apresentar a associação da função mitocondrial com o processo remielinização. Em experimentos em modelos animais e em pacientes com esclerose múltipla (MS), foi demonstrado que a disfunção mitocondrial pode levar à perda da função, e um aumento de produtos tóxicos, especialmente em axônios com desmielinização. Assim, a reconstituição da bainha de mielina e, posterior, recuperação da função neural é comprometida. Assim, é possível inferir que a identificação de novos fatores terapêuticos que possam proteger as células neurais das lesões oxidativas pode promove o reparo da mielina e impede a progressão de algumas doenças neurais. Contudo, os mecanismos bioquímicos e moleculares dessas alterações ainda são pouco compreendidos.

Palavras-chave: mielina; mitocôndria; lesão oxidativa; esclerose múltipla; desmielinização.

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Anais da MCC., Salvador, v.1, n.3, setembro. 2012, ISSN

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