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I Simpósio de Cuidados Paliativos Perinatal e Pediátrico do Norte-Nordeste é realizado na Bahia

Evento contou com palestras de especialistas renomados no Brasil.
16/08/2019


I Simpósio de Cuidados Paliativos Perinatal e Pediátrico do Norte-Nordeste é realizado na Bahia

Evento contou com palestras de especialistas renomados no Brasil.

Pela primeira vez na Bahia e nas regiões Norte e Nordeste, o tema da morte, assistência e promoção da qualidade de vida para neonatos e bebês nas últimas fases de uma doença incurável foi discutido no I Simpósio Baiano de Cuidados Paliativos Perinatal e Pediátrico que aconteceu nos dias 8, 9 e 10 de agosto, no Campus Cabula da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública. O evento reuniu representantes de conselhos regionais, especialistas em neonatologia, profissionais da área da saúde e estudantes de várias instituições.

A mesa de abertura foi composta pela presidente da Sociedade Baiana de Pediatria, Dra. Dolores Fernandez; pela representante do Conselho Regional de Fonoaudiologia, a fonoaudióloga Ana Terra; pela representante do Secretário da Saúde do Estado da Bahia, a médica Wilma Ribeiro e pelo professor Dr. Adson França, que considerou o simpósio extremamente relevante, por ser “a construção de uma cultura de debates acadêmicos e científicos com profissionais multidisciplinares”. Para Adson França, como há diversas áreas especializadas no nascimento e no cuidar das gestantes, “precisamos também de uma equivalência no âmbito do morrer. Não precisa, necessariamente, ter uma especialização para isso, mas a oportunidade de participar de um simpósio como esse proporciona crescimento e amadurecimento aos profissionais”.
 
      
 
O coordenador do simpósio, professor Dr. Franklin Santana, explica que o objetivo da iniciativa foi desmistificar o processo de morte na sociedade. “As pessoas que estão morrendo, sejam adultos ou crianças, precisam de cuidados que, muitas vezes, no Brasil, não são ofertados. O tema é um tabu e precisa ser discutido em lugares públicos”, assim destaca o coordenador.
 
Franklin Santana esclarece que os cuidados paliativos são uma abordagem que melhora a qualidade de vida tanto das pessoas que estão enfrentando doenças quanto dos familiares desses pacientes. Recentemente, a Bahiana introduziu a Medicina Paliativa como matéria do curso de graduação em Medicina, integrando o cenário das poucas universidades que trabalham com o tema dentro da grade curricular. Por isso, ressalta Franklin Santana, “é necessário trazer esse assunto, principalmente quando se trata da morte e do morrer de crianças. É preciso capacitar os profissionais da área da saúde para atender esse público”.
 
No primeiro dia de programação, além dos minicursos, a médica neonatologista e paliativista, Lília Embiruçu, mediou a mesa de abertura, no Auditório I do Pavilhão III. Quanto à necessidade de se discutir o assunto, a médica comenta que “foi percebido o quanto se cuida mal de bebês que estão morrendo. Por isso, os estudos da área paliativa pediátrica precisaram ser iniciados. Tanto que o curso de cuidados paliativos para crianças e recém-nascidos foi implementado no Brasil, em São Paulo, somente no ano passado, no Hospital Sírio Libanês, o qual estou cursando”. Lília Embiruçu conclui que o evento auxiliou na compreensão da finitude da vida. “Que possamos estar capacitados para tratar das dores físicas, psicológicas, sociais e espirituais dessas famílias e crianças”, declara.
 
      

A pediatra Leila Gonçalves, do Hospital Aristides Maltez, ministrou a palestra “O Paciente como Mestre do Cuidado”. Nessa ocasião, o público conheceu a história do paciente Bruno Andrade Santana, por meio do depoimento da sua irmã, Bianca Andrade. O paciente, ao ser acolhido pelos cuidados paliativos desde a infância, aumentou a sua qualidade de vida, uma vez que realizou o tratamento próximo à família. Esse fator proporcionou uma ressignificação do momento delicado, tanto para ele quanto para os familiares. Em seguida, o professor Franklin Santana foi o responsável pela Conferência Magna “Por que Tânatos escolhe crianças? Espiritualidade e Construção de Sentido”, que abordou questões relacionadas à morte de crianças e sua aceitação na sociedade de acordo com dogmas e pesquisas científicas. A abertura teve início às 19h e foi finalizada às 21h. Um coquetel de abertura também foi servido.
 
O segundo dia do evento contou com diversas palestras das 8h às 18h. Palestrantes renomados, como a Dra. Tereza Paim (SESAB-BA), o prof. Dr. Adson França (BA), a prof. ª Dra. Lisandra Stein (USP–SP), a prof. ª Dra. Elisa Perina (UNICAMP), a Dra. Jussara Sousa (Caism-SP), a Dra. Lília Embiruçu (SESAB-BA), a Dra. Magnólia Carvalho (HGRS-BA), a Dra. Silmara Maia (HGRS-BA), a prof. ª Dra. Lara Torreão (UFBA) e a prof. ª Dra. Maria Elisa Villas Boas (MP-BA), além de Momentos Culturais com o tema “A Estética, a Vida e a Morte”, compuseram a grade de atividades.
 
Já o terceiro dia do Simpósio foi marcado pelo lançamento da Pós-Graduação Lato Sensu em Cuidados Paliativos Perinatal e Pediátrico da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, cuja inscrição será aberta no primeiro semestre de 2020, e ainda dispôs de explanações dos palestrantes prof.ª Dra. Elisa Pereira (UNICAMP-SP), Assistente Social Michelle Venâncio (BA), Dra. Leila Gonçalves (HAM-BA), prof. Dr. Gustavo Tânus (SP), prof.ª Dra. Ana Paula Santos (SP) e Dra. Karoline Carvalho (Hospital Português – BA). A programação, nesse dia, foi realizada das 8h às 17h.
 
     

Danila Rufino, estudante do 10º semestre do curso de Enfermagem da Faculdade Maurício de Nassau, revela que o interesse de ter participado do simpósio surgiu por conta do tema de seu Trabalho de Conclusão de Curso que foi o mesmo do evento. “Esse período de vivências com profissionais que já trabalham com a temática foi muito importante para a minha formação”, complementa a estudante.
 
A terapeuta ocupacional Lívia Trindade trabalha no Hospital Geral Roberto Santos e entende que os cuidados paliativos perinatal e pediátrico são uma abordagem bastante relevante para o atual cenário da saúde. “É fundamental oferecer uma boa qualidade de vida e proporcionar maior dignidade aos pacientes pediátricos que estão enfrentando uma situação difícil. Trabalhamos muito com a prevenção, portanto nada mais lógico que trabalharmos também com o alívio do sofrimento”, elucida a profissional.
 
Para o coordenador do evento, o simpósio abriu caminho para o debate a respeito de um tema que não é abordado culturalmente, por ser uma projeção oposta ao que se espera em relação à criança. Com isso, os cuidados paliativos, nesse âmbito, precisam ser iniciados já na gravidez, quando a mãe descobre que o feto em desenvolvimento apresenta má-formação, com poucas chances de sobreviver até ou após o nascimento. Assim, a partir da preparação psicológica e social da mãe, desde a gestação, a criança ou nascituro poderá ter as necessidades atendidas com dignidade. Sobre a abordagem da ação, o professor Dr. explica: “Trouxemos a especialista de São Paulo, Dra. Lília Embiruçu, que nos ajudou a pensar como os profissionais devem agir nesses casos e tratamos das questões bioéticas e legais envolvidas no processo de morrer da criança, ressaltando a importância do trabalho em conjunto dos profissionais de várias áreas da saúde, a fim de identificar e minimizar dores e sofrimentos”.
 
O professor Franklin Santana finaliza com a certeza de que o evento foi um divisor de águas e multiplicador de conhecimento para o norte-nordeste, principalmente por ser o primeiro simpósio voltado para os cuidados paliativos perinatal e pediátrico das regiões citadas: “Há várias iniciativas quando se trata de cuidados paliativos com adultos, mas ainda há uma lacuna em relação às crianças, pois não temos na Bahia nenhum serviço direcionado a esse público. Por isso, abraçamos o compromisso de trazer esse tema, uma vez que morre cerca de 3 mil crianças por ano no estado. São pacientes que enfrentam grande sofrimento, por conta da falta de cuidados específicos que os auxiliariam, dando suporte também aos familiares. A ideia foi sensibilizar os profissionais e estudantes para que, a partir daí, seja criada uma cultura de acolhimento”.
 

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