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Exposição artística do Grupo Encontro Feliz

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“Hoje pude vivenciar algo tão bonito, retratado por mãos tão sensíveis e, muitas vezes, não damos valor a uma pessoa porque ela é idosa e, estar aqui, nos mostra como elas podem fazer tantas coisas. Ver como uma pessoa nessa idade retrata, em um espaço tão pequeno, o que leva a gente a tão longe é maravilhoso”. Foi assim que Patrícia de Souza Veloso, copeira da Bahiana, exprimiu seu sentimento ao visitar a exposição artística dos integrantes do Grupo Encontro Feliz que aconteceu no dia 9 de novembro, na Unidade Acadêmica Brotas.

Composto de idosos moradores do Distrito Sanitário de Brotas e pacientes do Centro Médico da Bahiana, o Grupo Encontro Feliz existe há cerca de 10 anos. Atualmente, é coordenado pela assistente social da unidade de saúde Lorena Vaz, em parceria com o Programa de Integração em Saúde (PIS) (antigo Programa Candeal). Lorena explica que, inicialmente, os idosos são ouvidos sobre suas demandas e, posteriormente, há o contato com os estudantes de graduação do PIS (identificar a sigla) que planejam e realizam atividades ao longo do ano com foco na promoção da saúde, qualidade de vida e bem-estar.

“A ideia da exposição veio de Joaquim Pedroso, integrante do grupo e artista plástico. Ele propôs fazer uma oficina de arte com os idosos para mostrar o seu trabalho e também evidenciar que todos são capazes de produzir, fazer suas obras, ter a sua autonomia, colocar sua criatividade em prática”. Ela explica que, no grupo, existem também outras pessoas que não são artistas plásticas, mas que pintam e trabalham com artesanato. Dessa forma, foram realizadas duas oficinas artísticas que resultaram na exposição.

Para Margarete Costa, filha de Maria Terezinha Costa de Jesus, de 75 anos, a participação de sua mãe no grupo é muito positiva, na medida em que estimula sua produtividade. “Eu acho que essa atividade que ela faz com esse grupo é maravilhosa. Está deixando ela mais alegre, dando mais vida a ela que está se tornando mais produtiva. E hoje o que ela trouxe aqui é muito bom, pois ela faz com amor. E nós, filhos, ficamos muito felizes, porque ela está tendo uma atividade que a agrada”.

Orgulhosa do currículo de sua mãe, Madalena Rodrigues conta que dona Durvaldina Souza Tavares iniciou seus estudos em pintura logo após se aposentar como contadora. “Em 1999, ela fez curso livre de pintura em Maceió e foi convidada para participar de uma exposição da Marinha, no aniversário da Companhia dos Portos”. Depois disso, a artista amadora, agora com 78 anos, já fez cursos em Brasília, em Salvador e mantém seu ateliê em casa. “Mas não me considero profissional. Pinto por hobby, pois, se fosse profissional, me sentiria obrigada a pintar. Só pinto quando tenho vontade”, ressalta.

Naiane de Oliveira Souza, 5º semestre de Psicologia, conta que, no início, imaginou que não teria paciência para lidar com a diferença de idade, “mas, aos poucos, fui me surpreendendo comigo e percebi que era muito legal, que eu consigo ter paciência, sim, e essa experiência contribuiu muito para minha formação”. Ela ressalta que o convívio com o grupo lhe ajudou para identificar algumas patologias estudadas em sala de aula, muito presentes em pessoas da faixa etária do Encontro Feliz, a exemplo da depressão. “Isso é bom ver na prática como os sintomas se manifestam, como as pessoas reagem a essas situações e, após nós as alertarmos, elas passam a se cuidar. Está sendo maravilhoso”.