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Homenagem ao Professor Dr. Luiz Erlon Araújo Rodrigues

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Prof Luiz Erlon Homenagem   Nota FalecimentoAo iniciar o ano de 2026, a Escola Bahiana não poderia deixar de homenagear nosso querido Professor Dr. Luiz Erlon Araújo Rodrigues, falecido em 21 de dezembro de 2025, aos 86 anos.

Profº Erlon nasceu em Itabuna e formou-se médico pela UFBA, em 1965. Já no ano seguinte, ingressou na carreira docente, tornando-se professor de Bioquímica médica de várias gerações, na UFBA e na Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública.

No entanto, Profº Erlon foi mais do que um professor de Bioquímica, foi um verdadeiro mestre que deixa centenas de discípulos entristecidos com sua partida, mas gratos por terem podido conviver e aprender com sua vasta experiência de vida.

A Escola Bahiana de Medicina deixa expressa aqui profunda gratidão por todos seus anos de dedicação ao ensino e à pesquisa, por todos os desafios enfrentados e pela disponibilidade permanente em contribuir para fazer da Escola Bahiana de Medicina a escola de excelência na qual ela se transformou.

Tomaremos emprestadas as palavras emocionadas do Profº Humberto de Castro Lima Filho, Coordenador do curso de Medicina e Vice-reitor da Escola Bahiana, para homenageá-lo no momento de sua partida.

“Como tantos aqui, tive o privilégio de ser seu aluno e de desfrutar do seu convívio. Não havia salvação fora da bioquímica, mas a vida e os ensinamentos do professor Erlon transcendiam infinitamente os limites dos ciclos de Krebs. É verdade que, quando ele descrevia as interações moleculares, os NADHs, os FADs e tantas interações enzimáticas complexas, muitas vezes pausava, olhava para a turma, apontava para o próprio braço, demonstrando a piloereção, e dizia: “Arrepiei”. Às vezes o arrepio era mais intenso, fazendo com que ele passasse a mão na região da nuca e se demorasse alguns segundos a mais em um silêncio eloquente, que evidenciava seu amor ao conhecimento e ao ato de ensinar. Ele se emocionava com a beleza da bioquímica, mas não exigia que tivéssemos o mesmo afeto pela disciplina. Como grande educador, ensinava-nos a necessidade de que cada um de nós, seus estudantes, descobrisse aquilo que nos “arrepiava”.

Admirador da França e da cultura francesa, o professor Erlon cultivava um savoir-vivre que ecoava na sala de aula. Seus aforismos, cheios de humor, ironia e profundidade, entremeados por casos e histórias de sua vida, aliviavam um pouco o peso da bioquímica. Exigia uma etiqueta acadêmica que garantia uma elegância didática, uma liturgia nas relações sociais e um respeito mútuo — valores ainda mais necessários na atualidade. “Cágado não sobe em árvore, Humberto”, lembro-me dele me dizendo. Nem todo mundo precisa gostar de bioquímica. Aliás, acho que pouca gente precisa. Mas o professor Erlon me ensinou que todo mundo precisa descobrir o que ama e que, para ser feliz, até o cágado precisa aprender o que o faz se “arrepiar”.