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Congresso Labirinto
O LABIRINTO (Laboratório Interdisciplinar de Pesquisa em Autismo) realizou, nos dias 19 e 20 de maio, na Unidade Acadêmica Brotas, da Bahiana, o congresso "Transtorno do Espectro Autista: a interdisciplinaridade como necessidade". Com vagas esgotadas em apenas duas semanas de inscrições, o evento reuniu estudantes e profissionais de diversas áreas com o objetivo de discutir as principais temáticas relacionadas ao diagnóstico, tratamento e inclusão da pessoa com autismo.

O caráter interdisciplinar proposto pelo encontro é ressaltado pela coordenadora do evento e do Labirinto, Prof.ª Dra. Milena Pondé. "O autismo é um transtorno caracterizado por alterações no neurodesenvolvimento que envolvem dificuldades em várias esferas, necessitando, pois, de uma avaliação e acompanhamento por profissionais de diferentes áreas como fonoaudiólogo, nutricionista, psiquiatra, terapeuta ocupacional, neurologista, pedagogo, psicólogo, educador físico e musicoterapeuta".
     
Segundo o integrante do Labirinto e também coordenador do congresso, Prof. Gustavo Siquara, a proposta da interdisciplinaridade reflete o perfil do grupo de pesquisa. "A nossa equipe é composta de forma interdisciplinar e a proposta foi trazer algumas pessoas que trabalham conosco e com outros grupos de pesquisa para que pudessem dialogar, apresentar pesquisas mais atuais a as melhores tendências para fomentar uma discussão sobre autismo tanto para pais como para profissionais e estudantes  interessados na temática que é muito desafiadora".
     
Dessa forma, a programação contou com palestras e apresentação de casos de psiquiatras, psicólogos e psicopedagogos, também presentes na plateia, a exemplo de Maria José Moraes Ferreira, psicopedagoga e orientadora de uma escola de ensino fundamental. Segundo ela, o evento foi muito importante para aprofundar os conhecimentos e uma oportunidade de como desenvolver melhor o acolhimento de crianças com autismo e outros transtornos psíquicos na escola. "Estou aqui buscando conhecer e me aprofundar mais no assunto. Esse evento é uma grande oportunidade, pois aqui encontramos psiquiatras, psicopedagogos e acredito que o diálogo é por esse caminho. As crianças precisam ser inseridas não apenas estando em sala de aula, mas precisamos saber o que fazer com essa criança".

Márcia de Lima Carneiro Campos, mãe de uma criança autista e estudante do curso de especialização em Psicopedagogia da Bahiana, conta que o diagnóstico de seu filho deu-se muito cedo e, desde então, ela vem se dedicando ao assunto. "A minha impressão do evento é muito boa pelas pessoas que estão palestrando e a diversidade das abordagens. Desde o diagnóstico de meu filho, venho estudando o assunto e vejo que meu interesse que, a princípio era pessoal, hoje está se expandindo e tomando uma proporção que até estou cogitando passar a trabalhar nessa área auxiliando outras pessoas".       

O professor da Bahiana e médico psiquiatra Antonio Freire, explicou que é preciso mudar a ideia de que ser atendido por um psiquiatra significa que o paciente será encaminhado a um tratamento medicamentoso. Ele colocou a participação do psiquiatra no acompanhamento da pessoa com autismo como mais um agente na elaboração de um melhor tratamento. “Ir ao psiquiatra não significa tomar remédio, significa, muitas vezes, lançar luz sobre possibilidades de tratamento, de melhorar estímulo, de buscar uma equipe interdisciplinar”.

Segundo Milena Pondé, é preciso promover a inclusão das crianças com autismo na escola e nos ambientes sociais comuns. “A criança precisa ser exposta aos estímulos de forma gradual e progressiva, conforme as suas dificuldades e potencialidades, para que possa melhor desenvolver as habilidades sociais e, posteriormente, de trabalho”.  Segundo a psiquiatra, a inclusão na escola regular, no entanto, implica em preparar os professores e alunos para receberem crianças “que são muito diferentes, que se comportam em dissonância com os demais e aprendem de forma e em tempo diferente”. 


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