Sobre a Bahiana

Sobre a Bahiana


Uma instituição que tem a tradição e a inovação como pilares. Uma escola de saúde que é referência e celebra mais de seis décadas de excelência na formação de profissionais críticos, éticos e capacitados para enfrentar os desafios e as exigências da sociedade contemporânea. Essa é a Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, criada em 31 de maio de 1952 e que, desde então, presta assistência à população e preza pela qualidade e inovação no ensino superior. Uma instituição que, com o tempo, se tornou referência também em assistência, em programas de extensão e em pesquisa e inovação, com contribuições relevantes à saúde da população.

Infografico Bahiana Em Numeros 040821

 

Fundadores

Adelaido Ribeiro

O sergipano Adelaido Ribeiro nasceu em 23 de setembro de 1904, filho de Domingos Alves Ribeiro e Arabela Cotias d’Assunção Ribeiro, na cidade de Estância.

Ingressou muito jovem na Faculdade de Medicina da Bahia, onde se formou no ano de 1926. Especialista em Radiologia, criou o Instituto de Radiologia da Bahia. Coordenou também o serviço de Radiologia de dois grandes hospitais da capital baiana: o Hospital Espanhol e o Hospital Santa Izabel.

Compartilhou o seu vasto repertório científico com a comunidade acadêmica brasileira, exercendo a função de livre-docente da Faculdade de Medicina da Bahia e da Escola de Ciências Médicas do Rio de Janeiro. Em 1952, foi responsável por um dos grandes marcos do ensino médico no Norte/Nordeste, fundando a Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública.

Adelaido Ribeiro teve uma carreira devotada à saúde pública, tendo sido membro da Liga Baiana contra a Mortalidade Infantil e secretário de Saúde e Assistência Social da Bahia no período de abril de 1964 a janeiro de 1966.

André Negreiros Falcão

André Negreiros Falcão nasceu em 1895, no município de Queimadas, interior do estado da Bahia. Ainda jovem, mudou-se para Salvador, onde ingressou na Faculdade de Medicina da Bahia. Concluiu o curso em 1924, iniciando, no mesmo ano, uma brilhante carreira na área médica – especialista em Endêmicas Rurais, dispôs o seu talento a serviço da Rede Ferroviária Federal.

Retornando ao interior, estabeleceu-se em Serrinha, cidade vizinha a Queimadas, onde suas ações transformaram a realidade da região. À época, além de exercer a função clínica e obstétrica, Negreiros Falcão foi responsável pela criação da Casa de Saúde de Serrinha. O reconhecimento por suas inestimáveis contribuições à saúde pública levou André Negreiros Falcão a uma sólida carreira política. Por mais de três décadas, assumiu, por diversas vezes, o cargo de Deputado Estadual, defendendo com afinco os interesses da população baiana.

A intensa atividade parlamentar, no entanto, não foi o suficiente para afastar o profissional do entusiasmo pelo ofício clínico. Em Salvador, Negreiros Falcão foi diretor da Casa Ernestina Guimarães e médico geriatra no Hospital Santa Izabel.

No ano de 1952, entendendo a necessidade da criação de uma nova escola médica em Salvador, Negreiros Falcão fundou, ao lado de outras importantes lideranças médicas da capital, a Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública. Consagrava-se, assim, o legado do político dedicado e médico apaixonado.

Antônio Simões da Silva Freitas

Antônio Simões da Silva Freitas nasceu em Salvador, em 30 de abril de 1903. Realizou os estudos iniciais em sua cidade natal, sob a orientação do prof. Possidônio Dias Coelho, concluindo-os no Ginásio da Bahia. Em 1922, ingressou na Faculdade de Medicina da Bahia, formando-se em Medicina no ano de 1927. Especializou-se em Urologia e Doenças Venéreas e exerceu, com rara competência, a clínica urológica até 1960.

Em sua longa e produtiva caminhada, Antônio Simões, como era mais conhecido, exerceu as múltiplas funções que lhe foram cometidas com probidade, espírito público, dedicação e humildade.

Prestou relevantes serviços à saúde pública, tendo empreendido diversas campanhas sanitárias ao longo de sua carreira e inaugurado a Secretaria Municipal de Saúde. E foi um dos fundadores e professor da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, além de primeiro presidente da Fundação Bahiana para o Progresso da Medicina e fundador da Academia de Medicina da Bahia.

Antônio Souza Lima Machado

Aristides Novis Filho

Colombo Moreira Spínola

Colombo Moreira Spínola reuniu múltiplos e reconhecidos talentos.

Como médico, acolheu com igual dedicação ricos e pobres. Aos ricos, abriu a sua intimidade, dando a todos edificantes exemplos de honradez, retidão de caráter e honestidade. Aos pobres, abriu o coração e criou a Fundação Santa Luzia, guardando para cada qual uma mensagem personalizada de otimismo, individualizando a massa compacta dos que o procuravam, na esperança de uma medicina humanizada e engrandecida pelas virtudes de quem a professava.

Homem de letras, produziu despretensiosas crônicas e oportunos comentários – alguns deles verbais, dos quais emanava profunda cultura humanística, fundamentada nos clássicos antigos e contemporâneos.

Colombo Spínola exerceu, ao longo de sua carreira, diversos encargos, cargos e funções públicas, sempre voltado aos interesses da população. Atendendo às aspirações da Bahia, ampliou as oportunidades da educação superior no estado, com a criação da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública.

Na Fundação Santa Luzia, o professor e pioneiro da oftalmologia promoveu a difusão do saber, por vários anos, à inúmeras gerações.

Francisco Pinheiro Lima Jr.

Francisco Pinheiro Lima Jr. nasceu em Pojuca, Bahia, no ano de 1918.

Seguiu a carreira sacerdotal, concluindo a sua formação na Universidade Gregoriana (Roma) em 1948.

Dedicou-se, sobretudo, às atividades ligadas ao magistério, no Seminário Maior da Bahia e na Faculdade Católica de Filosofia, que veio a ser um dos pontos de partida para a criação da Universidade Católica de Salvador (UCSal). Em diversos períodos, exerceu a diretoria do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da universidade. Posteriormente, optou por se dedicar exclusivamente ao magistério.

Embora mantendo os vínculos com os institutos religiosos, ingressou no corpo docente da Faculdade de Filosofia da Universidade Federal da Bahia, onde defendeu teses de doutorado e livre-docência, tornando-se titular por concurso. Alcançou uma posição de grande destaque entre os estudiosos da filosofia brasileira, tendo realizado estudos pioneiros da evolução das ideias filosóficas na Bahia.

Em 1952, atento à latente – e urgente – demanda pela formação de profissionais de saúde no estado da Bahia, Francisco Pinheiro uniu-se a lideranças médicas e políticas da cidade de Salvador para criar uma nova instituição de ensino. Nascia, assim, a Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública.

Foram seus companheiros na fundação da Bahiana os médicos José Santiago da Motta, Antônio Simões da Silva Freitas, Orlando de Castro Lima, Jorge Valente, Adelaido Ribeiro, Aristides Novis Filho, Antônio Souza Lima Machado, Colombo Moreira Spínola, Urcício Santiago e André Negreiros Falcão, além do professor secundarista René Alfredo Guimarães e do também sacerdote Manoel Aquino Barbosa.

Jorge Valente

Jorge Valente formou-se em 1927, aos 22 anos, membro da 111ª turma da Faculdade de Medicina da Bahia (FAMEB/UFBA). Foi colega de Alício Peltier de Queiroz, Carlos Rodrigues de Moraes, Hosannah de Oliveira, José Eugênio Mendes Figueiredo, José Silveira e Thales Olympio Góes de Azevêdo, entre outros, em uma turma reconhecida como uma das mais brilhantes da história da escola.

Lá se tornou professor catedrático de Clínica Urológica, expandindo horizontes e organizando um serviço de padrão superior na especialidade, no Hospital das Clínicas. No início da década de 1950, percebendo a demanda por uma nova escola médica na capital baiana, fez parte do grupo de idealizadores que fundou a Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública. Valente viria a se tornar o primeiro diretor da instituição, eleito no dia 6 de dezembro de 1952.

De 1968 a 1970, foi também presidente da Academia de Medicina da Bahia.

José Santiago da Motta

Nasceu em Muritiba, no Recôncavo baiano, em 14 de agosto de 1902, filho de família numerosa, teve 18 irmãos. Precisou trabalhar para se manter no curso de Odontologia da Bahia, onde se formou como aluno laureado. Antes de concluir esse curso, já era aluno do curso de Medicina na Faculdade de Medicina da Bahia (FAMEB/UFBA), quando se tornou amigo do seu colega (Turma de 1932) Orlando de Castro Lima. Por ser o curso de Odontologia da Bahia anexo à FAMEB, surgiu a amizade com diversos contemporâneos, alguns também fundadores da Bahiana, como Jorge Valente, Antônio Simões e Adelaido Ribeiro.

Médico, cursou algumas especializações, como Doenças Tropicais, Doenças Venéreas, tendo Urcício Santiago como colega, e Medicina Sanitária no Instituto Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro, em plena Segunda Guerra Mundial. Posteriormente, concluiu a especialização em Medicina do Trabalho e, por acreditar que médico deveria entender não só de doenças, mas também de saúde, estudou Educação Física.

Foi professor, membro da Academia de Medicina da Bahia e trabalhou no serviço público. Atuou como médico do Corpo de Bombeiros e do Exército Brasileiro, foi diretor do Serviço de Saúde do Interior e também médico-legista. Fez parte do Conselho Administrativo da Embasa, naturalmente sob a ótica médica, já que se tratava da água que abastecia a cidade.

Faleceu em 1987. Sua biblioteca foi doada para a Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública.

Manoel Aquino Barbosa

Manoel Aquino Barbosa nasceu em 29 de outubro de 1902, no arraial de Oliveira dos Campinhos, distrito de Santo Amaro.

Desde a infância, cultivou o ofício religioso. Iniciou-se no apostolado em 1926, quando foi nomeado coadjutor da Paróquia de Nazaré. Como sacerdote, teve o seu nome ligado a diversas atividades de grande repercussão no seio do povo baiano.

Homem de múltiplas vocações, Manoel Aquino Barbosa fez de suas paixões sua vida: jornalista nato, publicou seus primeiros escritos ainda nos tempos de Seminário, empreendendo a reforma material e editorial do diário “Era Nova”; dedicou-se também aos estudos históricos – principalmente no que se refere à Igreja no Brasil, tendo sido um dos maiores colecionadores de obras raras e dono de uma riquíssima biblioteca particular, contendo um acervo sobre a nossa história eclesiástica.

Em 1935, assumiu o cargo de arquivista público, que ocupou por vinte e oito meses, reafirmando a sua dedicação pelo passado baiano e exercendo oportuna fiscalização para impedir a saída de objetos de arte para outros estados, incluindo a realização do primeiro tombamento de monumentos históricos no estado da Bahia.

Orlando de Castro Lima

Orlando de Castro Lima é um dos grandes nomes da história da Bahiana.

Foi diplomado em 1932, pela Faculdade de Medicina da Bahia. Sua tese de doutoramento intitulada “Estados constitucionais em rinolaringologia – notas de estudo” foi considerada a mais brilhante dentre as defendidas pelos seus colegas de turma.

Iniciou a vida profissional na prática clínica e, em pouco tempo, angariou vasta clientela no campo da otorrinolaringologia. No serviço público estadual, trabalhou no 2º Centro de Saúde, onde se destacou como clínico brilhante. Seus atos cirúrgicos eram sempre indicados com segurança e adequação, em uma época em que não havia terapias comparáveis às dos dias atuais.

Nos EUA, estagiou no St. Lucas Hospital e aprofundou seus estudos na Temple University. Voltando à Bahia, instalou o primeiro serviço de broncoesofagologia e endoscopia peroral no Pronto-Socorro Hospital Getúlio Vargas.

Foi um dos fundadores da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, a qual dirigiu durante muitos anos.

Enquanto esteve à frente da escola, construiu pavilhões de aulas, edifícios administrativos, o ambulatório do Hospital Santa Izabel, o Instituto de Perinatologia da Bahia (IPERBA) e a biblioteca da instituição. Adquiriu o dispensário da antiga Fundação AntiTuberculose Santa Terezinha, onde hoje se encontra o Centro Médico da Bahiana no Campus Brotas.

René Alfredo Guimarães

Urcício Santiago

Dono de um vasto currículo e uma carreira de notável dedicação à saúde pública, Urcício Santiago nasceu em Salvador, em 5 de agosto de 1914.

Aos 26 anos, ingressou na Faculdade de Medicina da Bahia, pela qual foi diplomado em 5 de dezembro de 1936. Iniciou a clínica particular e assumiu atividade profissional na Caixa Econômica Federal e na Viação Férrea Brasileira. Jornalista e homem de letras, foi um destacado humanista.

Em 1940, transferiu-se para a cidade de Castro Alves, para exercer as funções de médico no Posto de Higiene local. No mesmo ano, frequentou o Curso Intensivo de Saúde Pública e, no ano seguinte, dois novos cursos, no Rio de Janeiro.

Em 1943, conquistou o diploma de sanitarista no Instituto de Manguinhos e, no mesmo ano, ingressou no curso de Organização e Administração Sanitárias. Foi nomeado chefe do Serviço de Saúde do Interior, diretor-geral do Departamento de Saúde e, finalmente, secretário de Estado de Educação e Saúde.

Seguiu para os Estados Unidos, em 1944, e passou três anos em Boston, realizando um curso de Saúde Pública na Universidade de Harvard, de onde regressou com o título de mestre.

Voltando ao Brasil, foi nomeado superintendente da Campanha contra Doenças Venéreas, cargo que acumulou com o de Chefe do Serviço Médico do Interior.

Foi um dos fundadores da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, da Academia de Medicina da Bahia, do Instituto Brasileiro de Medicina Rural e de outras instituições.

Na Bahiana, foi professor de Higiene, coordenador e professor do curso de Saúde Pública. Foi ainda livre-docente na Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e professor-titular na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS).